Informações em Forma Maior


Agora

Nem sempre as coisas se encaixam. Algumas vezes sim. Ou parecem que sim por darem certo — não deveriam ocupar necessariamente aqueles lugares.

Eu ando assim. Uma peça do quebra-cabeça de um míope.

Detalhes mal conduzidos não justificam o acerto. Os fins não justificam os meios. Peças de outras vidas. Repetidas, sem ter com quem trocar. Novas estrelas ausentes. Buracos sem esperanças em deixarem de ser vazios.

Não acredite no seu professor de aritmética; existem positivos negativos.

Toda a areia é suficiente para os óculos do olho do mundo?

É sem graça concluir assim tão facilmente. Mas não há o quê fazer quando a verdade é simples e nítida.

 



Escrito por Andréa Albuquerque às 23h04
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Ficção às 4h 52min

     Nunca comentei porquê escrevo das últimas páginas para as primeiras. Talvez não o tinha feito por achar que parecesse óbvio. Muito menos sobre os diferentes modos que seguro a caneta e os diversos modelos que já segurei. Nem quantas vezes eu paro para pensar na palavra seguinte ou fugida. Nem que fico posicionando a caneta em diferentes lugares para, quem sabe, fazer com que o quê vem a seguir tenha mais sentido se escolher a maneira certa para começar a rabiscar letras. É. Talvez porque pareça óbvio. Ou então pelo mesmo motivo do "talvez" estar ali: eu não sei.

     Deve ser normal isso. Melhor, é normal. Afinal de contas, você realmente sabe o quê está fazendo da sua vida? Você se quer já pensou e titubeou ao dar o seguinte passo? Não queria, mas vou ter que enfatizar: realmente sabe? Se eu que passei mais do que semanas se tornando em meses para encharcar em azul essa celulose (e aposto meus dedos que nem ao menos é de reflorestamento) com idéias que vem e vão, e quando não se vão, acredito que ficarão, mas quando as ofereço um fresta de liberdade, se sentem mais seguras longe de mim. Como então você realmente sabe o que está fazendo da sua vida?

     Não me diga que estou sendo agressiva como alguém que já tem a certeza da resposta de sua pergunta. Não mesmo. Pois lhe digo: eu também não sei. Sei pouco sobre onde isto daqui vai me levar. Imagine sobre o quê faço da minha mísera vida. E não me afronte outra vez. Porque aí sim teremos alguém agressivo por aqui.

     O texto, sim, é maior do que a minha ou a sua existência. Ele e elas (O texto e as palavras, cafajeste!) perpetuam até segunda ordem. E você? E eu? E seus pensamentos e as desnecessárias vibrações das suas cordas vocais desafinadas? Irão ao seu lado onde ninguém mais poderá aproveitá-las e só. Muito menos você. Portanto, se conseguir dar um rumo nessa parte em branco que resta à tinta azul, alguma coisa realmente foi feita. Tenho certeza, será maior do que você, ossos empoeirados em silêncio. Mas eu ainda não entendo para quê forçar esse egocentrismo maior do que o do Sol. Provavelmente, quando pensa em Da Vinci logo lembra do seu rosto de barba feita, do carisma que emanava da sua pele sedosa, da simetria de seu nariz, não é mesmo?

     Prefiro continuar escrevendo de trás para frente. Talvez o meu rumo certo seja para o lado errado. Talvez...

Foto por A. A.

 



Escrito por Andréa Albuquerque às 19h54
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Amarga

As marcas no semblante de alguém, como uma pegada na terra úmida depois da chuva, são o quê aquela pessoa passou, o quê passou por ela e no quê a tornou. Por mais que seu olhar esteja triste, a cicatriz de uma luta de espadas vitoriosa deixa claro que uma vez aquele mesmo olhar sorriu. E se não temos marcas, não temos experiências. Nos tornamos pessoas vazias, intactamente de carne e ossos. Por isso é necessário viver se arriscando, pois erros são cometidos para serem corrigidos.

As marcas são da vida amarga.

 

A lua nua e a rua crua. Durma.



Escrito por Andréa Albuquerque às 14h49
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